segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Não posto nada, né?

Mas vou deixar, então, um recadinho. Desde o mês passado, a revista KIDS in, um dos projetos que conta com a participação da minha empresa, está nas bancas de todo o Brasil. Comprem : )
Para mais informações: www.kidsin.com.br

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Somos filhas da culpa, nós, as mulheres. Nossa geração sente mais culpa, certamente, dos que as antecessoras da Idade Média. A gente sente culpa por não acordar seis para malhar todos os dias, sente culpa de comer o doce que engorda. De comer mal. De comer saudável também, porque, afinal, a vida tá passando, e os prazeres? A gente sente culpa se não se dedica 100% ao trabalho, mas ai sente culpa, porque se nos dedicamos demais ao trabalho, não nos dedicamo aos filhos. A gente sente culpa por não procurar os pais e amigos como deveria, mas sente culpa quando procura demais, porque, afinal, e a sua vida e a SUA individualidade? Quem se importa com as suas prioridades? A gente culpa de deixar os filhos na escola e de deixá-los com os avós também. A gente sente culpa se é "mulherzinha" com nossos rapazes. Mas quando o é, sente culpa porque, afinal, e a emancipação feminina? A gente sente culpa se dá no primeiro encontro. Sente culpa se não dá. A gente sente culpa por ser bonita. A gente sente culpa por ser feia. A gente sente culpa por ligar por ser bonita ou ser feia e mais culpa ainda por pensar que nada disso importa e que ler um livro é melhor, afinal, mas vale ser inteligente do que essa às favas de aparências. Ufa! Vamos nos culpar menos?

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Meu caro amigo

Estou lendo, embora tardiamente, o livro "Chico Buarque do Brasil", uma compilação de depoimentos sobre a obra de Chico até a publicação de Budapeste. Ocasião, aliás e livro em alusão, dos (aos) 60 anos do artista (2004). E, em um dos depoimentos, Augusto Boal, mata a minha curiosidade e conta que a música "Meu caro amigo" sim, fazia parte da realidade. Teve mesmo um destinatário: o próprio Boal e sua família. Não o óbvio da ditadura, mas no depoimento eu pude conhecer a quem de fato a música se dirigia. É tão cotidiano o que Chico traz na letra.
Reproduzo o breve, porém tão extenso, depoimento de Boal:

" ...Tranquilo e a gosto, que me lembrei do dia em que estávamos almoçando babalhau à braz - com Paulo Freire, sua esposa e sua equipe; Darcy Ribeiro e outros amigos exilados - na casa onde morávamos.

Cecília, eu e nossos filhos, em Lisboa, no Campo Pequeno - onde ainda se humilham touros com bandeirolas coloridas espetadas no sangue, sendo retirados da arena depois da faina, vivos, mas envergonhados por doze vacas corpulentas com guizos no pescoço! - quando, na sobremesa, minha mãe visitante disse que tinha trazido do Brasil uma carta de Chico. Pusemos a carta-cassete na vitrola e, pela primeira vez, ouvimos 'Meu caro amigo' com Francis Hime ao piano. Falávamos tristezas, e ouvimos o canto da esperança.

Chico resistia, no Brasil, escrevendo 'Apesar de você' e 'Vai passar', e nos ajudava a resistir, lá fora, cantando sua amizade. Sua lírica era a mais pura poesia épica: seu caro amigo eram todos os nossos amigos, e todos os nossos amigos eram seus.
Emoções, existem muitas... Algumas são irrepetíveis."


"A Marieta manda um beijo para os seus
Um beijo na família, na Cecília e nas crianças
O Francis aproveita pra também mandar lembranças
A todo o pessoal
Adeus"


terça-feira, 22 de novembro de 2011


Formato novo da Newsletter da KIDS in. Mais uma materinha que escrevi.
Se você quiser receber as newsletters da KIDS in, acesse: www.kidsin.com.br

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

lembrei de outra coisa, quando me frustro ou to triste, uso acessórios engraçados. tenho vários deles. Chapeus, óculos, uso uma meia de cada cor. Agora estou usando um brinco enorme. Só para escrever.
Menti. Era menos de um dedo de vodka. O pessoal do escritório quando veio da última vez aqui em casa trouxe vodka e energético. Sobraram uns 4 dedos. Outros convivas vieram e mataram duas doses. Restou isso, que talvez servisse só pra passar na gengiva de alguma criança que tivesse com dentes nascendo (é, antigamente não era politicamente incorreto fazer isso). E misturei com pepsi light, quem sabe funciona.

E dai que hoje quando acordei estava passando na Globo News alguém falando sobre empreendedorismo - só vejo notícias de manhã, me desperta. E diziam que os empreendedores têm de aprender a lidar com as frustrações. MEOOOO, to tentando!

Quando me frustro eu canto, já contei? Coloco as minhas músicas preferidas para cantar, aquelas que a minha voz fica mais legal. Com agudos e falsetes de contralto... e canto. Pobre dos vizinhos.
Vida, minha vida, olha o que é que eu fiz, diria Chico.
Vou tentar guardar algumas palavras no trabalho para escrever coisas aqui. Gastar menos palavras escritas profissionalmente e ditas e ditas.
Confesso, a vida, as gentes, o medo de me expor, tudo isso anda me calando.
Tem exatamente um dedo de vodka na geladeira. Talvez eu beba. Quem sabe me inspira e eu escrevo a noite toda.
Viver o dilema de ser e ser o que esperam da gente. De sentir e demonstrar o esperado. E sufocar. Sufocar. Até se perder. E nas inseguranças se perguntar quem se é. De verdade.
Escolho uma música no youtube e depois só vou clicando em outras que aparecem do lado, deixando me levar. Essa é a vida. A gente controla muito pouco. E quando tenta, só tenta.
Estou ouvindo " Chão de giz", não escolhi. Apareceu ali no youtube e eu só cliquei.
É isso. Não tem mais pra hoje. Volta amanhã!

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Confesso, anda me faltando tesão para escrever. :/
Juro, chegarei em casa e vou traçar algumas linhas sobre a viagem, ok?

terça-feira, 11 de outubro de 2011


Não consegui ainda postar nada de Paris. Queria muito. Fiz várias anotações, mas o trabalho tá puxado e quem trabalha escrevendo usa toda a inspiração para tal. Então, chegar em casa e ainda postar não tá rolando.
Mas deixo vocês com uma fotinho genial que tirei na minha viagem. Trata-se da Avenue des Gobelins, no 13ème, perto da Place d'Italie. Alguém trocou a privada de casa, mas como ainda estava em bom estado, descartou o utensílio na porta do prédio, assim, encostadinho numa árvore, para que alguém ainda fizesse uso. Rs! Demais!

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Em 10 dias viajo para Paris. Prometo posts, fotos e dicas.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Vai arranjar o que fazer, vai....

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A carta que eu nunca te mandei.

Rio de Janeiro, 22 de agosto de 2011.

Fulano,

Hoje em dia é difícil pararmos para escrever alguma coisa de “próprio punho”. Eu mesma não sei quando foi a última vez que escrevi uma carta para alguém. Bilhetes, sim... E cartões telegráficos de congratulaçõoes ou feliz alguma coisa. A gente tem seguido assim, “escrevendo bilhetes” em todos os aspectos da vida às pessoas.

Muitos são os registros de cartas enviadas por personalidades a quem consideramos como parte ancestral, às vezes, de nós. Li algumas de Pagu, Simone de Beauvoir e, até, vinícius de Moraes. Talvez escreva essa para você na esperança infantil de algum dia inspirar reles mortais como eu.

E, ora, que graça teria em te escrever como vai a vida, ou te fazer juras de amor? Falo isso para você todos os dias... A graça é, justamente, escrever essas bobagens tão d’alma, que seriam ditas em menos de 30 segundos...

Meu coração segue com o teu...

Marcella.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

operei a miopia... e cada vez q vou dormir, penso: preciso tirar as lentes rs
A vida não é um filme, nem capítulo de seriado. Que merda, hein, Kléber?

domingo, 14 de agosto de 2011

O que eu teria para escrever? Que a vida é muito doida.
Voltei pro meu ex. Terminei com meu ex.
Reencontrei amores, casos. Consumei amores, casos. Sinceramente não me importo de todo coração com eles. Repito, não me importo. E quando digo de todo coraçao, não quer mesmo dizer que parte do meu coraçao se importe. Eu realmente não me importo. Mesmo. Ajudam a passar o tempo, a tapar esse buraco da alma que reza a lenda que um dia você conhece alguém e entende por que nunca deu certo com ninguém. E vamos lá, Marcella, você realmente quer isso? Pense bem.
Vivo um "amor" a distância. Só porque não tenho nada melhor pra fazer.
Quero casar e ter filhos... E ao mesmo tempo não quero nada disso, porque gosto da superficialidade tola do estar sozinha estando acompanhada o tempo todo. Das possibilidades.
E vamos lá, o que eu faria com um marido? Talvez fosse bom alguém para dividir as contas.
Ultimamente o mundo parece ter surtado e todas as pessoas passaram a achar muito normal trair. Todo mundo que eu conheço anda traindo, o tempo todo. Se eu tinha alguma dúvida de que me traiu, hoje tenho certeza. Porque essa unanimidade existe (redundancia)! TODOS traem. E eu não sei se isso me causa espanto... Não já passei dessa fase. Começo tristemente a admitir que, sim, a traição é a coisa mais normal (e pelo visto saudável) do mundo.
Fui pro lado negro da força.

domingo, 31 de julho de 2011


A zona... Agora é daqui que saem as grandes criações...

sábado, 30 de julho de 2011

Depois de me jogar em uma caneca de feijão carioquinha (o meu feijão, feito por mim), faço aqui uma promessa: acabo de entrar na dieta!

sexta-feira, 29 de julho de 2011

"Por algum tempo fiquei pensando mesmo em ter algo serio com vc, mesmo sem saber se vc iria concordar. Marcella, vc é maravilhosa e especial."


OUvi hoje. O problema é que eles falam isso depois que viram amigos ou que eu já sofri horrores por eles. Ou quando já quase morri de dúvidas, na iminência do amor... C'est la vie...

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Comidinhas tijucanas

Como disse, a minha intenção quando comecei a escrever o post anterior era falar sobre lugares bacanas de se comer e beber na Tijuca, bairro em que nasci e me criei. Seria interessante, antes de você ler esse aqui que segue, ler o abaixo para se contextualizar.

Mas acabei enveredando pela descrição antropológica de nós tijucanos e nossos mundos tão estigmatizados. Mas agora vou mesmo falar dos meus lugares preferidos para se comer pelo bairro. É bem provável que esse post dê conta de tudo de bom que existe por lá, mas vamos combinar? Se alguém lembrar ou conhecer outros lugares que eu não citei, me faz a dica, que eu vou conferir e escrevo sobre : )

Tijucano que é tijucano frequenta com relativa assiduidade a Praça Varnhagen (diz-se "vanhargen"), mais conhecida como Pólo Gastronômico da Tijuca, junto a outros estabelecimentos do entorno. É lá que a galera jovem se diverte, bebe, come e frequenta o andar de cima do Buxixo (outro bar do lugar), mais conhecido como “Bulixo”, onde é possível escutar clássicos do cancioneiro popular do pagode, música de night e pop. Na Varnhagen são muuuitas opções para todos os gostos e bolsos. E a coisa andou crescendo de uns 5 anos para cá, quando houve ali uma obra de expansão que conferiu aos bares e restaurantes mais mesas. A parada virou um complexo. Para se ter ideia, meu boteco preferido, o SóKana, tinha quatro mesas nos primórdios, hoje, sem sacanagem, são mais de 50 e há ainda toldos. Já que comecei pelo SóKana, vamos à descrição dele em primeiro lugar. Digamos que a Varnhagen seja o Baixo Gávea da Tijuca e tem gente que chama mesmo assim...

Só Kana – localizado à beira do Rio Maracanã, quando estou me junto à população ribeirinha e sento nas mesinhas mais distantes na parte externa. Gosto de ficar alí naquelas mesinhas admirando a paisagem e a fauna local. Fui irônica, tá? Já que o rio Maracanã é aquela maravilha... Rs. Mas de fato eu curto me aboletar no SóKana, muita memória de lá. Para se tomar cerveja de garrafa dignamente a preço mais barato, é o ligar. Não existe muita variedade, o básico mesmo. Acho que rola Skoll, Bhrama... O ápice acredito ser a Original e a banca rota a Bavária. Lá tem aquela coisa cafona que é torre de chopp. Mas vai lá, tem quem goste. O SóKana é conhecido pelas batidas, que podem ser consumidas in loco ou serem levadas para casa, bastando você se dirigir ao balcão com uma garrafa pet e pedir o preenchimento. Muito roots, aliás, adoro o roots. As batidas são deliciosas, fica a dica para você provar a “Orgasmo”. No quesito comidinhas, adoro a pizza de lá: crocante, sequinha e recheada. Sempre como a Marguerita, cheia de azeitinho. Hummmm. As batatas fritas também são boas pedidas. Elas São daquelas malucas, sabe, com queijo, linguiça calabres; o destaque fica para a SoKana, com queijo e presunto, que, aliás, já foi muuuito mais recheada do que é hoje. Uma pena. Nada lá é muito caro e comendo uma pizza e bebendo “umas boas cerva”, Salve Luiza Marilac, você gasta – dividindo a pizza com alguém claro – não mais que R$ 40. Ah, outra coisa gostosinha de comer depois de uma night, que é no estilo confort food é o caldinho de feijão, sempre quentinho e, se não me engano, sai a módicos R$ 6 e vem com salsinhas, queijo ralado(!) e torresminho, além de torradinhas para sapecar no fumegante caldinho. Eu adoro!

Av. Maracanã, 766 - Maracanã - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2567-7082
Obs.: Não achei foto na internet do local, mas prometo ver em meus arquivos pessoais se tenho alguma : )

Siri - Também no Pólo Gastronômico da Tijuca, a poucos metros do SóKana, existe o tradicional Siri. Por lá você come o melhor da gastronomia com frutos do mar. Minha dica são os quitutes, como os pasteis... E para a refeição o risoto de camarão e o bacalhau à Gomes Sá. As bebidas têm preço justo, mas o preço dos pratos é bem salgado. Não vou até lá há algum tempo, e, embora as porções sejam fartas, servindo até quatro pessoas - claro pessoas que não são ogras - o custo do risoto de camarão, por exemplo, se não me falha a memória saia por algo em torno de R$ 60. Aos finais de semana o Siri fica sempre cheio, embora o espaço externo e interno sejam grandes. A dica para os sábados é ir depois de 14h, porque acontece uma feira livre na rua do restaurante.

www.restaurantesiri.com.br

Universo da Cerveja - Ali também no entorno tem esse bar / restaurante que para mim tem uma puta memória afetiva, mas isso fica pra outro post. Chamamos esse bar de "O Escritório", onde nós, jovens boêmios, passávamos noites de bebedeiras ao sabor de muita Antarctica Original. A comida lá é péssima. Tenho de confessar... rs. O que vale é a batata rostie, saborosa, mas com preços surreais. Se quiser ouvir um esquema voz e violão, a casa oferece sempre shows de artistas - alguns talentosos, outros não. Mas de vez em quando a gente quer ouvir e cantar Marisa Monte, Lenine, Legião Urbana, Roupa Nova e nada tão kitsch do que ouvir música ao vivo num narzinho... Mas pode ser MESMO uma delícia. Bem, no Universo então, aprenda a lição, vá para beber e ouvir música, não para comer.

R. Almirante João Cândido Brasil, 134 lj. C - Maracanã

Tel.: 2268-6894

www.polotijuca.com.br

Obs.: é provável que eu descole uma foto do meu acervo pessoal para postar depois. Aguardem e confiem.

Adega Villas Boas - Ahhh, mas na Tijuca também tem lugar para beber um bom vinho. O lugar parece uma cantina e tem o clima de. Mas não emplacou muito e normalmente não tem todas as mesas ocupadas. Mas no caso de querer degustar um vinhozinho honesto, a pedida é lá. Fica na esquina oposta ao Universo da Cerveja.

Garota da Tijuca - Esse, se você é carioca conhece. Lá é servida a deliciosa picanha na chapa com batatas portuguesas e arroz à piamontese. É "A" pedida. Só serve chopp, nada de cervejinha.

Também na Praça Varnhagen

PanCrepe - Finalizando as comidinhas da Varnhagen, você pode se jogar no PanCrepe... Crepes quentinhos, deliciosos e baratos. Além do ambiente ser bastante agradável.

Se você gosta de viver perigosamente, essa é pra você, o rodízio japones mais roots da Tijuca, o New Pekim, conhecido vulgarmente como New Fedim. É possível matar a fominha de japa, mas o cardápio é muito limitado, o atendimento deixa a desejar e a TV tá sempre na Globo, cortem os pulsos. Mas, se você está com desejo, vai lá num dia de semana, come rapidinho e vaza. não vá em um domingo, porque passa Faustão. Ah, e pelo preço, não vale a pena... É muito caro pro que é. Procure outro.

A Tijuca tem outro restaurante japonês melhorzinho, na Carlos de Vasconcellos (aliás, rua da minha primeira moradia quando vim ao mundo), chamado Sushi Lounge. Pequenininho, digno, com opções variadas e preço de rodízio. Nada exorbitante, mas dá pra morrer nuns setentinha Reais.
R. Carlos de Vasconcelos, 113.
Tel.: (21) 2568-2387

Subindo um pouco mais em direção à Usina há ainda muito mais sugestões bacanas:

A primeira delas é o relativamente novo Otto. Restaurante alemão, de ambiente agradável (menos dentro, onde às vezes rola uma música ao vivo). A dica é ficar no "deck". Além de cervejinhas diferentes, você pode pedir o delicioso palmito assado, enorme. Desculpaê, desmatamento das matas. Os preços não são baratos, mas as mesinhas costumam servir de reduto para casais tijucanos apaixonados que querem um restaurantezinho mais "phyno".

Tradicional restaurante da Tijuca, localizado na Praça Xavier de Brito (vulgo Praça dos Cavalinhos) está o baluarte Rei do Bacalhau. Uma tristeza. Sempre vazio, não sei como se sustenta. Aos finais de semana até rola um movimento na parte externa, mas nada que se estenda e ocupe todos os lugares do salão interno. Uma pena. Não recomendo mais o bolinho de bacalhau de lá. Nada demais. Justo, mas nada extraordinário.

Pça. Cte. Xavier de Brito, 10.

Tel.: (21) 2238-7667

Seguindo à esquerda do Rei do Bacalhau, virando a esquina, há um bar conhecidérrimo pela boemia carioca chamado Bar do Pavão, administrado pelos donos o casal Dona Jô e o marido que não lembro o nome que faz vez de cozinheiro. Além dos quitutes, que, cá entre nós, porque conheço os donos de vista, não me agradam muito, há a tradicional feijoada por quilo, que, segundo os adeptos do prato - não como feijoada - é das melhores. Para quem como eu não se sente atraída por todas aquelas carnes malsolentas, rola, vez ou outra, um empadão de palmito bem gostoso no limitado buffet, que é mesmo de FEIJOADA rs! É preciso chegar cedo, são poucas mesas e o espaço é disputado por um público cativo.

Rua Doutor Otávio Kelly 53, coladinho na praça Xavier de Brito.

Indo mais a frente um cadinho, virando à direita na Rua Espírito Santo Cardoso, há um botecão cujas mesas ocupam quase toda a calçada, chamase Bar do Momo e tem um dos melhores croquetes de carne que já comi. Se não me engano, a casa é administrada por pai e filho, que cuidam, eles mesmos, do preparo dos quitutes, do balcão em em servir os clientes.

Semana passada também comi num bar gostoso e novo das redondezas, o Cotidiano. Fica também na Espírito Santo Cardoso (rua da delegacia), só que à esquerda da R. Dr. Otávio Kelly, e, além de ambiente agradável e atendimento digno, a porção de aipim com carne seca foi uma das melhores que comi nos últimos tempos.

Já na Rua Uruguai tenho duas dicas contraditórias, mas que são as que mais amo. O Ching Ling, apelido que demos aos fundos de uma pastelaria dessas tantas que existem Rio de Janeiro afora, onde os donos montaram um buffet por quilo de japonês e chinês, que é JUSTÉRRIMO em tudo, comida e preço. Não é assim um rodízio classe A, mas pro que se detina, tá bom. Certamente é o meu lugar preferido, sabe por quê? Porque além de yakissobas, empanados, sashimis califórnia, 100 gramas de sushi de salmão saem por módicos TRÊS REAIS. Ouviu bem, TRÊS Reais. É de se regalar. Nem sei se o Ching Ling tem mesmo um nome rs.

Mas o destaque vai para esse outro restaurante que citei na Rua Uruguai, o Casa da Ostra na Brasa. Um rodízio de frutos do mar com TU-DO que você possa imaginar. O preço é mais do que uma bagatela, R$ 27,90 por pessoa para comer belisquetes de frutos do mar, lagosta, peixes grelhados diversos e um buffet para ninguém botar defeito. Além da mesa com os pratos, como strogonoff de camarão, moquecas, risotos, palmitos gratinados, pirão e outras coisinhas mais, os garçóns ficam transitando entre as mesas no melhor estilo churrascaria, oferecendo tudo que se possa imaginar em termos de frutos do mar. São dois andares, opte por ficar na parte de cima, nos fundos, que é mais reservada e tranquila. Amei. Da próxima vez que for lá, quero ficar umas 5 horas, pois estávamos com pressa e não deu para aproveitar tudo. O local só tem um grande defeito comum aos serviços medianos tijucanos de quem não sabe fazer negócio. Para se pagar, é preciso ficar em pé numa fila indiana, com UM CAIXA, por cerca de meia hora. Tipo, absurdo! Ah e não são aceitos cartões de crédito, só débito.

Mudando um pouco de região da Tijuca, vou para a Rua Mariz e Barros. Lá existe um restaurante chamado Brasa Gourmet que está para a Tijuca, assim como o Celeiro para o Leblon. É um quilo metido a besta, que serve comida nobre e de qualidade. É possivel comer ostra, carpaccio, queijos finos, um esquema Spoletto de massas, churrascos com carnes nobres e uma mesa de saladas sensacional. Há também um japonês bem digno, que sempre matava a minha fome em um pulo express depois de um dia de trabalho cansativo em uma quentinha prontamente levada para degustação em casa, vendo TV. É que eu morava nessa rua na Tijuca. O atendimento é ótimo, do começo ao fim.

Rua Mariz e Barros, nº 881.

Falando em baixa gastronomia, pertinho dali, duas ruas adiante, depois do hospital Gaffré Guinle, existe a tradicional Salette, que há 874384394 serve empadas. Pertinho da casa que Tim Maia cresceu. Vale a pena dar um pulo lá e saborear a delicinha ou levar algumas para casa.
R. Afonso Pena, 189.

Quase terminando o roteiro tijucano, tem um boteco na Praça da Bandeira especializado em cervejas de todo o mundo. O Bar da Frente é frequentado por várias celebridades boêmias da música brasileira e por lá há foto dos ilustres frequentadores. São servidos os moderninhos bolinhos de feijoada, que a galera adora por aí, mas eu confesso, acho uma mistureba e tenho um certo nojinho!

R. Barão de Iguatemi, 388.

Escolha o seu, largue o preconceito e vá conhecer as delícias da Tijuca!


Nota da autora: perdoem o post, deve estar cheio de erros para serem editados. Mas são duas da manhã, to morta e o sono me impede de ter uma revisão digna. Amanhã, recuperada, faço os acertos e coloco fotos, ok? E dou dicas de duas "delicatessens" que abriram na Tijuca e que são SHOW de bola, um luxo!

Ode às avessas (com muito amor) à Tijuca


Pra mudar um pouco o mood desse blog, depois do post anterior, vou escrever sobre um dos temas que eu mais gosto: dar pitaco rs.

Brincadeiras a parte, vou falar de uma coisa que a gente só lê na seção Água na Boca, dos jornais de bairro de O Globo, mais especificamente no Globo Tijuca: gastronomia e lugares bacanas de se comer na Tijuca.

A Tijuca é aquele bairro da Zona Norte que sofre bullying, sabe? Eu sou tijucana, sofro, de certa forma, bullying também. E eu sou a pior espécie de tijucana, aquela que passou a ganhar um bocadinho mais, fez as trouxas e veio se estabelecer na versão tijucana da Zona Sul, Copacabana. A Tijuca, para os leitores forasteiros, é um bairro de classe média (classe média baixa, classe média média e classe média alta) considerado meio decadente... O bairro teve o seu auge na década de 40, quando preferia-se morar na Tijuca do que em Ipanema, pasmem. Me recordo de uma matéria da Revista O Globo, falando a respeito da primeira loja de lingeries da cidade em que o empresário falava justamente isso. Que foi morar em Ipanema porque Tijuca era lugar de rico e em Ipanema dava-se para morar. Ô contradição atualmente. Hoje a Tijuca é habitada pelas famílias, que na maioria das vezes moram todas juntas... E grande parte da populaçao local é composta por judeus, inclusive, ortodoxos. O que é divertidíssimo e causa a essa alma aqui provinciana aquele olhar indiscreto de quando passam por mim na rua, o que é uma vergonha para alguém que luta tanto pelo individualismo e direito de se ser quem é e que se foda o mundo, que nada tem a ver comigo. Mas o meu coração singelo e curioso de criança me faz olhar e não conseguir parar, pela curiosidade. Sorry, erro meu.

O povo de lá é reconhecido por ter gírias e sotaques carregados e não muito raro utilizam a expressão “comem sardinha e arrotam caviar” para descrevê-lo. Somos mesmo estigmatizados. Uns dizem que nós somos bairristas, pois somos os únicos moradores de um bairro que têm um nome para chamarem de seu, o chamado gentilício (vai catar no google o que significa rs): “Tijucanos”. Como toda boa classe média, a Tijuca é, sim, ainda, tradicionalista e um pouco hipócrita. O povo por lá é mais careta, namora mais do que vive só. Sai de casa só para casar, o que não é de todo ruim, porque casam cedo. A maioria dos meus amigos da Tijuca está casada ou em vias de. Minimamente namoram “sério” há algum tempo. E as moçoilas solteiras moram sob o teto dos pais. Não me odeiem, to relatando fatos. Às vezes quando comento que moro sozinha em Copacabana, sem dividir apê com ninguém, alguns se espantam... Eu não vejo vanguarda nenhuma nisso, mas sei que alguns deles me acham um pouco saidinha e arrojada e de "vanguarda", mas de um jeito certamente não muito positivo, não achando "vanguarda" uma coisa descolada e (again) arrojada.

Demorei para assimilar isso. Algumas pessoas já tinham me dito a respeito das diferenças antropologicas entre Tijuca e Zona Sul, mas eu ficava indignada. Achava SUPER preconceituoso. Mas hoje, depois de viver, concordo.

Quem nasce e cresce na Tijuca tem uma qualidade bacana. A gente é capaz de transitar com desenvoltura em qualquer ambiente social. Seja no churrasco da empregada, na laje da casa do morro em que ela mora. Ser amiga íntima do feirante. Seja em pegar um ônubus e lograr êxito na tarefa de ir a um batizado em Cascadura. Seja em fazer uma viagem a Bangu pra almoçar com um amigo. A gente também costuma se sair bem em ambientes de gente mais granfina, pois afinal, tivemos educação em bons colégios e apesar de sermos os filhos do meio da cidade (nem tegião nobre, nem subúrbio) não vivemos em choupanas e temos acesso a todo tipo de informação graças a internet e a tv a cabo, sem gato, óbvio, porque embora muitos pensem, a Tijuca não é a Terra de Marlboro. A única coisa que a Tijuca não faz assim tão bem em termos de atualização como a Zona Sul diz respeito à moda. A moda na Zona Sul é muito mais ousada e descolada. Fato.

Nasci feliz na Tijuca, fui embalada e tomei sol nas pracinhas da Praça Saens Pena e Afonso Pena. Frequentei o Tijuca Tênis Clube, passei a pré-adolescência passeando no Off Shopping (não existia o Shopping Tijuca), comendo no Bob’s Drive Thru e no Mc Donalds do mesmo lugar. Vi os shows de Mc’s nas discotecas do Tijuca e frequentei as matinês Terceiro Milênio e Interdance. Frequentei o pagode de quintas do Raio de Sol e como todo tijucano adorava sair pelas boates da Barra rs, como Studio 54, Dado Bier, Bedroom, depois Red. Isso, até chegar aos 18. Depois tudo mudou e eu passei a curtir mais uma Bunker da vida do que uma Base enfadonha ou Meli Melo terrível de playboys (aliás, foi lá que comemorei meu aniversário de 19 anos rs).

Fui muito feliz na Tijuca. E ai de quem falar mal do meu bairro. A Tijuca tem coisas ótimas, por exemplo: você não morre por falta de farmácias, padarias e cabeleireiros. Mas só não conte com as farmácias de madrugada, porque só a Granado da Praça Saens Peña funciona e não entrega. Então, esteja você morrendo ou não pegue o seu carro ou um táxi e vá, sem demora e antes de morrer, comprar a sua droga. Tudo é perto, é possível fazer tudo de metrô ou ônibus, porque eles te levam a qualquer lugar. Todo mundo fala da violência da Tijuca. Eu, graças a Deus, nunca fui exposta a ela. Na verdade, fiquei no meio de um tiroteio em Porto Alegre... E todo mundo malhava a minha boa e fiel Tijuca.

Óbvio que os serviços lá não são como aqui na Zona Sul, há muito menos opção e variedade e charme. Principalmente aos domingos, onde, certamente a Tijuca deve encabeçar a lista de números de suicídios... rs. Domingo lá o ar é pesado, as ruas desertas, as lojas de portas cerradas e você ouve o rádio do vizinho sintonizado na Rádio Globo na hora do jogo. Aos domingos, na Tijuca, você vê a bola de feno passando pelo meio da rua e ouve o som do faroeste (ah se eu tivesse fonemas para reproduzir isso em palavras rs). Na Tijuca o seu porteiro lê O Povo. Confesso que o principal motivo que me fez sair do bairro foi única e simplesmente os dias de domingo. Era insuportável aquela inércia preguiçosa, como se o mundo adormecesse. Quase uma cena daqueles filmes de catástrofe em que a cidade fica fantasma depois de uma invasão alienígena ou uma ecatombe. E claro, a qualidade de vida aqui na Zona Sul é maior. O mar, os turistas, muitos serviços a qualquer hora do dia ou da noite e gente mais solta.

Me lembro que logo quando surgiu a moda dos oclões, beeem no princípio, não se usava muito isso na Tijuca... E eu sempre fui perua e amo oclões e ostentava assim, na cara, a novidade. No metrô as pessoas me olhavam meio assustadas... Quando abria a porta no Estácio, as pessoas me olhavam ainda com mais espanto. Quando chegava ao meu destino final, para o trabalho, o Centro, já me sentia mais confortável, pois para lá convergem as gentes de todos os lugares. É só uma observação / conclusão antropológica que, aliás, é corroborada pelo meu querido autor Nelson Rodrigues, escrevinhador dos costumes da Zona Norte da cidade e, aqui, vou colar um pedaço da minha monografia, que falou sobre a obra desse autor e os costumes do Rio de Janeiro, Os conceitos de Nelson ajudam a entender fatos que fizeram da Zona Norte ser diferente mesmo da Zona Sul, em uma perspectiva ainda tão atual:

“...O universo ao qual Nelson Rodrigues passou a fazer parte - um bairro da Zona
Norte, com traços de província – era composto por uma vizinhança farta dos tipos mais
estereotipados possíveis; vizinhas fofoqueiras, homens frouxos, mulheres adúlteras,
funcionários públicos. Isto porque o Rio de Janeiro vivenciava àquela época um
processo de urbanização, que empurrava a população mais pobre para a Zona Norte e o
subúrbio, transformando a Zona Sul em uma região de elite e mais de acordo com as
novidades e novos costumes. Morar neste espaço foi fundamental para que as
características de ávido observador e tradutor da realidade começassem a se desenvolver
no futuro jornalista, já que estava cercado não só pela prática de costumes antigos, como
também tinha contato com os exageros – de paixões, de humor e atitudes –
característicos de províncias; um universo quase caricatural.”

E ai uso mais um trecho da minha monografia de conclusao da graduação para ajudar você, leitor desavisado e descontextualizado, que não é morador do Rio e a você, morador da Tijuca que deve estar subindo pelas tamancas com esse post, a entender a Tijuca:

Nelson começou a dar os tons de "A vida como ela é...”, com adultérios, traições, tragédias, tudo movido às paixões humanas, vividas por um elenco composto por homens e mulheres, que transitavam entre a Zona Norte e a Zona Sul. Apesar das inúmeras referências à Zona Sul, e ao deslocamento dos personagens entre as duas regiões, A Zona Norte era o cenário principal das tragédias de “A vida como ela é”. A relação entre os dois pólos da cidade – Zona Norte e Zona Sul, é caracterizada nos contos, como sendo uma das facilitadoras dos conflitos, pois junto com a distância física, há também as diferenças sócio-culturais entre uma e outra. Em meados do século XIX, começou a ser promovido um processo de urbanização da cidade, em busca de modernização e a fim de ordenar as instalações físicas, ruas, avenidas e monumentos. Com isso, a população de baixa renda, que habitava as principais áreas da cidade foi sendo empurrada pelo progresso das ruas largas para lugares mais afastados, dando origem aos chamados subúrbios, como afirma Facina:

"Desde a segunda metade do século XIX, foram elaborados planos de reformas urbanas que visavam principalmente à modernização do espaço urbano, no sentido de conferir a ele maior funcionalidade e de embelezamento, à higienização, especialmente através do controle de epidemias e manutenção à ordem (...) O projeto republicano de transformar a capital numa cidade moderna estava associado ao ordenamento do espaço urbano, de modo que a população pobre fosse deslocada dos locais mais urbanizados e civilizados, verdadeiras vitrines do progresso, para regiões mais distantes e também mais precárias em termos de serviços urbanos. Essa população vai sendo cada vez mais impelida a construir as suas habitações nos morros ou
nas áreas mais periféricas da cidade, os subúrbios." 18

No início dos anos 50, a Zona Norte era um local caracterizado por uma postura mais conservadora, em relação às demais localidades do Rio. Nos bairros da região ainda eram notados costumes e valores antigos, diferentemente da Zona Sul, por exemplo, mais liberal, com maior acesso à informação e onde estavam as pessoas de maior poder aquisitivo. Além disso, na Zona Norte, as famílias eram consideradas mais rígidas e ainda mantinham o hábito de abrigar todos os membros em uma mesma casa; pais, filhas, maridos, cunhadas, todos viviam juntos. Esta convivência tão próxima acabava por atiçar desejos e facilitar algumas situações:

"(...) A Zona Norte, quase sem comunicação com a permissiva e paradisíaca Zona Sul, ainda preservava valores contemporâneos da "Espanhola". As famílias eram rigorosas e, o que é pior, muito mais famílias moravam juntas do que hoje. Maridos, cunhadas, sogras, tias e primas cruzavam-se dia e noite nos corredores dos casarões, sob uma capa de máximo respeito. Nessa convivência compulsória e sufocante, o desejo era apenas uma faísca inevitável.19

Os principais motivos para "A vida como ela é..." ter agradado tanto o gosto do carioca, a ponto de alavancar as vendas de um jornal e se tornar a coluna mais comentada e esperada diariamente da cidade é que ela não só refletia a realidade social contemporânea da época, os tipos sociais da cidade do Rio de Janeiro, aproximando as histórias da realidade das pessoas, com citações e descrições de lugares freqüentados por esses "ideais-tipos" 20, como se contasse um pouco da vida dos leitores, que viam suas vidas - graças e infortúnios, desejos e dilemas, êxitos e frustrações - através das linhas da crônica diária de Nelson Rodrigues. Além disso, as tragédias tinham o Rio de Janeiro como ambientação principal e como cenário número um, a Zona Norte e o subúrbio da cidade.

16 FACINA, Adriana. Santos e Canalhas: Uma análise antropológica da obra de Nelson Rodrigues. Rio
de Janeiro: Civilização Brasileira, 2004, pg. 24.
17 CASTRO, Ruy. 1992. O Anjo Pornográfico. A vida de Nelson Rodrigues. São Paulo: Companhia das Letras, 1992,
pg. 220.
18 FACINA, Adriana. Op. Cit. p. 156
19 CASTRO, Ruy. Op. Cit. p. 237.


De acordo com Ruy Castro, no começo, a "Última Hora" não era um jornal muito voltado para o público da Zona Norte. Suas páginas eram compostas, em sua maioria, por notícias de futebol e crimes21. Mas o grande sucesso de "A vida como ela é", a imagem refletida dos moradores da cidade, seus costumes e hábitos, hipocrisias, trataram de delinear as características do jornal. A profunda identificação que o leitor sentia com as histórias contadas por Nelson Rodrigues, ou até mesmo a realização "concretizada" na pele dos personagens de desejos oprimidos era notória, na medida em que a coluna passou a fazer parte da vida das pessoas, capaz não só de relatá-las, como também de influenciá-las. Ruy Castro descreve na biografia do autor um trecho muito
importante, que ajuda na compreensão do fenômeno “A vida como ela é...” para a cidade do Rio de Janeiro:

"Desde o começo, a coluna de Nelson passou a ser leitura obrigatória nos bondes e lotações. Uma cena comum nos ônibus apinhados era a fila de homens em pé no corredor, pendurados nas argolas e empunhando uma "Última Hora" dobrada na página de "A vida como ela é...".22

Esse trecho é capaz de demonstrar não só a aceitação da coluna pelos leitores, como também que tipo de pessoas eram essas que liam a coluna. O público do homem comum, que trabalha, viaja em transporte lotado, o público que enxergava os dilemas de sua vida e sua época escritos naquelas linhas. As histórias tratavam de conflitos entre as pessoas e os valores morais vigentes
na sociedade da época. As tragédias se davam porque os personagens infringiam esses valores impostos, fazendo cair a máscara das aparências, sustentada pela hipocrisia da sociedade. Eles viviam a dialética entre as paixões e os desejos versus a opressão causada por valores morais pré-definidos. Viviam à margem, pressionados tanto pela vontade, quanto pela circunstância do proibido.

20 DIAS, Ângela Maria. Nelson Rodrigues e o Rio de Janeiro. Memórias de um Passional. p. 04 – artigo
do scielo.
21 CASTRO, Ruy. 1992. O Anjo Pornográfico. A vida de Nelson Rodrigues. São Paulo: Companhia das Letras, 1992,
pg. 237.”


FONTE:

SARUBI, Marcella. AS REPRESENTAÇÕES EM “A VIDA COMO ELA É...”:
ANÁLISE DE CRÔNICAS, CENÁRIOS E VALORES DA
CIDADE DO RIO DE JANEIRO NOS ANOS 50.. 2007, p.21, 22 e 23. Monografia de
conclusão de curso de bacharel em Comunicação Social – Com habilitação em Jornalismo, na Universidade Estácio de Sá



Bem, depois de me disvirtuar completamente do meu post sobre gastronomia tijucana, vou encerrar a conta desse post e fazer uma Ediçao 2 no seguinte, tá? Assim o seu psicológico não fica com preguiça de ler. Espero que você tenha conseguido chegar até aqui e que eu consiga fazer o próximo post sobre as minhas dicas gastronomicas ainda hoje, se o sono não me atacar.

Não me taxem de preconceituosa, afinal, sou Tijucana e a gente sai da Tijuca, mas a Tijuca não sai de nós e se eu estivesse segregando alguém ou o bairro, estaria negando as minhas próprias raízes. E eu sou a Tijuca. A Tijuca é o que eu sou. É que nem quando a gente mora fora da pátria. Curte, acha o máximo, abre os horizontes, acrescenta gadgets à personalidade, mas o melhor lugar do mundo continua sendo a sua casa e a Tijuca é a minha casa.
Confesso, to muito workaholic. São mais de 22h e eu estou trabalhando. De casa, mas trabalhando na minha mesa nova com um cavalete lindo e tampo de vidro.
Mas sabe, to trabalhando pra esquecer, pra distrair... E óbvio porque tem zilhões de coisas pra fazer e não se pode acumular. Afinal, setembro, Paris, aí vou eu. Férias por 8 dias, mas férias. : )

To com saudade de você. E eu sei que você sabe que você é você. Fico muito triste por nós não podermos ficar juntos. Pela vida ser assim. Por nós sermos assim, água e óleo. Não gostei da nossa conversa de hoje e vou sentir sua falta. Fica o recado.

terça-feira, 26 de julho de 2011

tem um caderninho servindo de mouse pad... vou falando ao telefone e rabiscando. vendo tv e rabiscando. Rabiscando... Podia compilar tudo depois, dava uma boa história. Se alguem pegasse e lesse, podia dar merda. rs

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Dá série "Cliques cheios de Bossa" - A assinatura de Nara Leão no papel toalha da mesa do La Fiorentina, em Copacabana

Foto 2 da série "Anotações" - "Dos estimulantes"

Foto 1 da minha série "Anotações"

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Eu não lido muito bem com a traição, digo, com o ato de trair. Quer dizer, de eu trair alguém. Opa, não, eu não lido bem também com o fato das outras pessoas trairem, principalmente, é óbvio, quando elas me traem.

Engraçado que estava desde ontem à noite refletindo a respeito da traição e pensando em escrever no blog e logo hoje topei com alguém que me traiu. Mas traição daquelas, entende? Não traição que corta os laços de compromisso, porque esses não existiam, mas aquela traição que humilha, vilipendia, mata um pouco da gente e ensina a sermos mais pé no chão. Pois bem, essa traição representou um marco na minha vida. Posso dizer que era uma antes e sou outra agora, o que é muito bom, porque, embora nunca tenha sido ingênua, eu ainda acreditava em alguns contos de fada e em heróis e, principalmente, boas intenções e pureza d’alma.

Sempre refleti muito sobre a traição. Eu mesma, não sei trair. Tenho culpa, não acho justo, certo. Na verdade, sinto no ato de trair como se em trair o outro eu mesma tivesse me traindo, já que estou negando e renegando o que eu julgo sentir (amor, tesão por aquela pessoa... A esperança de um happy end, sim, porque a maioria das pessoas espera por ele). Mas isso é apenas um ponto de vista. Depois dessa rasteira que a vida me deu, a vida não, as pessoas, algo mudou dentro de mim e confesso que já não sei mais se teria o mesmo pudor em trair. Covarde que sou, certamente não trairia pelo medo de ser descoberta. Não... Quer saber? Lá no fundo acho que uma luz ia acender e me dizer que aquilo era errado com a outra pessoa e que o relacionamento é um contrato e eu estaria quebrando aquele acordo da forma mais vil possível, deixando o outro na ignorância.

Tenho dificuldade em entender a traição como um espécie de fato, um ato corriqueiro ou feito eventualmente ao longo da vida, por "esporte". Digo, como aventuras casuais, que terminam e a vida segue normal com a pessoa com a qual a gente sempre teve o relacionamento. Se for para trair, que seja por um grande amor. E, para mim, traição faz parte de um processo, uma migraçao, talvez, para outra relação. Se assemelha a um “teste” de uma nova situaçao, uma preparação para aquele salto sair, para pular daquele relacionamento que não te completa mais. Justo? Não, não é justo. Mas que parte da traição – e da vida – você não entendeu que não existe justiça (ou coerência)?

Mas, se tenho todas as minhas questões com a traição e o meu ato de trair, até consigo chegar perto de algo que seria um entendimento geral e superficial (porque obvio que as pessoas tem milhoes de motivos para trair seus parceiros) de por que tantas pessoas traem. Na verdade, trair é uma forma de fugir. De não encarar certas coisas de frente e, até, de manter um relacionamento, porque dentro dessa coisa de “a dois” existe muita frustração, às vezes mais do que a gente possa assumir ou dizer em voz alta para si mesmo. A traição é uma forma de retaliação também... De si e do outro. Você pune o outro por ele não te dar o que você espera e você dá o troco. Você se pune fazendo aquilo porque não tem coragem de sair daquela relação, tem medo de trocar o certo pelo duvidoso. Ou você pune o outro simplesmente sendo babaca e sacaneando a pessoa, porque ora, pinoias, traição nãoo é mesmo algo que se faça. Ou você vai só dar ali uns beijinhos inocentes, pra alimentar o seu espírito livre, e volta para casa com uma maior convicção de que aquele ali é mesmo o amor da sua vida.

Claro que tem os sem vergonha, que traem mesmo, que não se importam, cuja natureza impele para isso. E eles estão errados? Não, desde que sejam honestos com a outra parte envolvida na putaria, digo, questão. Mas isso ninguém nunca é. Ninguém sai por ai dizendo: “Oi, gata, quero namorar contigo, mas tenho um problema, não sei ser fiel. Traio mesmo, adoro flertar, paquerar e a conquista”. E mesmo que dissesse, quem topava? Ninguém.

Estamos num mato sem cachorro, porque, convenhamos, a sociedade poligâmica seria uma benção daquelas... Imagina quanto a gente poderia aprender e que não põe em prática a respeito de elaboração e articulação de sentimento. A gente ia praticar, por exemplo, a diferenciar quando ama alguém ou só sente tesão. A gente ia poder perceber com mais facilidade com quem se quer passar a vida toda ou apenas ter uns dois ou três encontros. A gente ia ter de lidar com o ciumes, o apego... Abraçar o desapego. E aprender a partilhar. E reconhecer o que todo mundo sabe, mas insiste em afugentar: que o outro não é de ninguém e nunca será.

A quem a gente quer enganar? Relacionamentos perdem a graça, a cama perde o tesão power plus do princípio e as coisas ficam mornas mesmo. Uma escapulidinha não seria, mesmo, de todo o mal. A merda, é que a outra parte nunca sabe da traição. E traição se alastra. Todo mundo sabe, comenta, toma ciência e tem também aquela parte de que ninguém toma partido... Porque afinal, ninguém quer se comprometer e se expor a complicações ou criar desafetos. Ai, todo mundo usa a desculpa de que: “eu não devo me meter”.

Nesse ponto, eu mesma já me perdi... E também, eu não quero chegar à conslusão nenhuma, porque essa questão simplesmente não há respostas.

O que eu acho? Que eu não julgo quem trai, julgo a maneira que trai. Que eu não sei trair, mas depois de assistir os outros “representarem no palco da vida”, posso ter aprendido e como muita gente ter adormecido o que chamamos de consciência. Pode ser. Talvez não.

A gente devia institucionalizar a traição. E acordar isso. E do tipo, se quiser me trair, por favor, me avisa. Pode trair, eu deixo, mas faz uma cartinha formal e manda à diretoria da empresa, faz favor.

Termino esse post com a certeza de que tenho ainda menos certeza sobre essa tal coisa que machuca a gente chamada traição. Taí, não sei se ela é certa ou não, quando é certa ou não, em que circunstâncias, quando é possível fazermos pequenas indulgencias e trair... Só sei que dói na gente. E isso basta para não ser legal, né?